Saída de Emergência
Uma vez eu li em uma edição especial da Superinteressante que, por um vazamento de gás de um caminhão, centenas de pessoas morreram em uma grande explosão. Tudo isso em um parque.
A catástrofe matou mais de 200 pessoas e ficou conhecida como Acidente de Los Alfaques. Ao que parece, o motorista do caminhão que estava carregado de propileno liquefeito resolveu usar outra rota para não ter que gastar dinheiro. E o mais inquietante: carregava 25 toneladas do produto na cisterna, enquanto a carga ideal deveria ser de 19 toneladas.
Calcula-se que haveria umas 800 pessoas no local. Com a velocidade da explosão, as que estavam mais próximas do caminhão não tiveram nem tempo de pensar. E, em um parque a céu aberto, não faria sentido uma saída de emergência.
Eu comprei aquela edição especial porque ela vinha com a capa do Titanic – e eu sou fissurada pela história da construção e tragédia do navio. E nele também faleceram muitos tripulantes por erro humano. E como qualquer navio muito requintado que iria aparecer nas manchetes dos jornais caso chegasse com mais velocidade à Nova Iorque, ele também não tinha uma saída de emergência muito eficaz. Ela possuía apenas capacidade para metade da tripulação, isso quando não mandavam vários botes com apenas alguns membros da alta sociedade confortavelmente alocados.
E aquele tumulto que matou mais de mil pessoas na cidade de Meca? Foram todos pisoteados e esmagados em um túnel durante o Hajj. Lá também não imagino que haveria como enxergar uma segunda porta, a porta dos fundos…a saída de emergência, que também não existia nos edifícios de São Paulo até o incêndio do Joelma.
Acredito que muitos veículos e jornalistas, na manhã, tarde e noite desse domingo fatídico acharam a saída de emergência para seus problemas com audiência. Afinal, cobrir uma tragédia e trazer o máximo de drama para as telinhas do computador e da TV renderia uma ótima sexta-feira de happy hour no final do mês, para comemorar os números.
Mas a minha maior dúvida em relação a tudo isso é: até quando vamos ter que procurar uma fictícia saída de emergência? Das várias dissertações que li a respeito da tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, todas elas remetiam ao não cumprimento das leis de segurança do local pelo integrante da banda, pelo dono da boate, e pelo próprio prefeito e os bombeiros que aprovaram o espaço como ideal para suportar até 2 mil pessoas espremidas. E, por apenas quinze reais, quem iria ficar de fora de uma festa de universidade só por causa de um pouco menos de espaço para respirar?
O problema é que fazemos isso todos os dias. E de agora em diante, quem não irá se perguntar a respeito das saídas de emergência? Aquelas que foram idealizadas em leis para a segurança de cada indivíduo dentro de um estabelecimento público ou privado.
Me pergunto se realmente teriamos que começar a pagar mais caro para, em qualquer circunstância, poder enxergar a pequena placa brilhante, indicando com setas fluorescentes uma segunda porta de saída. E diante do sofrimento de tantos pais e familiares de jovens com apenas vinte e poucos anos, como explicar agora onde fica a saída de emergência para eles?
Precisamos começar a pensar no que sai mais caro para o consumidor, cliente, expectador, tripulante, visitante e convidado…pois até onde eu sei, as saídas de emergência estão ficando restritas à pequenas brechas na lei que conseguem dar um jeitinho para tudo.
Eu sou jornalista formada e até hoje não sei onde fica a saída de emergência para quem não EXIGE seus direitos dentro da sociedade.
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E se o mundo realmente acabar?
Certos momentos da vida são como uma música da Adele: você já está de saco cheio, mas sempre deixa Someone like you ou Rumour has it tocarem inteiras quando elas caem no shuffle do iPod. A faculdade é um desses momentos. Goste ou não, você vai enjoar do elevador, das saídas de incêndio, dos retroprojetores, dos quadros brancos e até do dogão do trailer ali em frente.
E mesmo que no final de tudo você continue se perguntando por que não escolheu medicina, a felicidade e o alívio de ter entregue tudo o que foi pedido, na data combinada, no mesmo canal e no mesmo horário não têm preço.
Eu vou ser jornalista, assim espero. A partir de 31 de dezembro – ou do dia 6 – não posso mais me candidatar à vagas de estágio e nem me fingir de pobre mostrando a carteirinha para pagar meia entrada no cinema (mesmo eu continuando pobre, mas a carteirinha vale até 2013
).
A partir de agora, além do fim do mundo, tenho muitos compromissos. A busca por uma nova fase na carreira é só um deles.
E mesmo com essa declaração clichê, eu tenho certeza de que essa não é uma despedida das pessoas e da faculdade, e sim do curso de jornalismo – aquele que todo mundo tira sarro porque dá pouco dinheiro.
E para quem ficou curioso para saber mais sobre o documentário do meu TCC, eis o trailer:
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6 games que marcaram minha vida
Eu nunca tive videogame durante a infância. Comecei a entender como o Nintendo funcionava praticamente depois dos oito anos, e sempre que podia tentava jogar Rei Leão e Aladdin no console de meus primos. Logo, eu não sou viciada em games.
MENTIRA, gente! Eu sou viciada até em atum!
Mas a parte de não ter tido videogame é verdade. Acontece que há quase um mês eu me presenteei com um tão sonhado Nintendo Wii.
(Sim, o Wii U vai ser lançado e ele provavelmente vai virar um sucesso. Mas eu não estou nem aí. Quero jogar meu Mario e Donkey Kong em paz e só.)
E aproveitando a onda de lançamentos de jogos e consoles, registro aqui os games que mais marcaram minha infância e adolescência:
Donkey Kong
Não, não é o Mario (aquele que…), e nem o Rei Leão que mais marcou minha infância. E sim a Dixie! Donkey Kong surgiu até antes de Mario, que foi criado a partir do próprio game em mil novecentos e guaraná com rolha – como diz o Luiz no INFOLab.
Minha amiga e eu passávamos a tarde inteira jogando, inclusive durante as viagens. Jogamos o Donkey Kong 1 e 2 e zeramos eles até não poder mais. Com direito, claro, às famosas macumbas da fita (uma assoprada, três tapinhas, uma rodada em um pé só, dança da chuva, ragatanga e depois uma pequena ameaça de que vai estourá-la na parede. Isso com certeza vai adiantar).
Crash Bandicoot
Crash, Crash, Crash…A raposa mais famosa do PlayStation. E eu aposto que quem jogou o 1 e 2 já até brigou com o coleguinha para entrar naquela fase do tigre na China, que é a raposinha fêmea quem cumpre.
No momento da saudade, fiquei sabendo até que ele quase retornou das cinzas nesse ano, mas foi cancelado por falta de mão de obra, ou algo assim.
Pandemonium
Pouca gente deve lembrar desse jogo. Um dia me dei a experimentar o joguinho e viciei. Hoje o que eu lembro era só que ele era um game de aventura com muitas fases e cenários bem legais.
Sim Theme Hospital
Meu Deus! Como eu fui desenterrar esse game do baú?!
Eu nem saberia mais jogar ele hoje, ainda mais no PlayStation. Mas não tinha coisa mais viciante para mim do que construir as salinhas, colocar máquinas de Kit Kat e ver um monte de bonecos de cabeça inchada chegando no hospital.
The Sims 1
Eu confesso que até nesse ano comprei duas edições de The Sims 2 para continuar jogando e alimentando meu vício. Óbvio que não é a mesma coisa. No The Sims 1, além da construção de casas ser bem mais emocionante (com aquela trilha sonora que não sai da cabeça), eu conseguia encontrar itens extras na internet que eram super úteis na minha vida virtual: um teletransportador!
Roller Coaster 1 e 2
Duvido que ninguém nunca tenha feito uma montanha russa mal feita só para ver o “circo” pegar fogo no Six Flags! Mas o que eu e minha amiga sempre fazíamos era pegar uma criança que estivesse bem feliz e adotá-la. Como? Fazendo uma pequena área exclusiva só para ela. Com o tempo a gente privilegiava outros convidados também, e quando dava na telha a gente jogava eles na água.
Outra coisa engraçada no jogo também era a quantidade absurda de faxineiros “cortadores de grama” que tinham que ser colocados no mapa. E eles insistiam em escapar da trilha que eu colocava para eles!
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O fim do mundo, e a volta do blog
Ah, quanta pressa! Mas vamos logo com isso que eu tenho muito pra contar
Semanas, meses e mais de um ano se passaram até que eu tomasse coragem suficiente para grudar a traseira na cadeira e tirar essa página dos porões. Por isso, não repare a bagunça, desvie das caixas de mudança, se acomode no banco mais próximo e preste atenção.
Acontece que eu estou me formando! Pois é, não vou falar aquelas frases clichês do tipo “parece que foi ontem…”, “a gente cresce rápido” e mimimi.
Eu juro que queria ter tido tempo pra contar tanta coisa que aconteceu nesses 4 anos super corridos, para falar dos trabalhos malucos, de São Paulo, do trânsito, do estresse, do ônibus da Litorânea, dos feriados, das noites que eu não dormi, e das que eu posso dormir agora, e enfim, da minha formatura.
Você acredita no fim do mundo?
E como em último ano de faculdade não poderia faltar, estou fazendo o famigerado TCC – vulgo TGI no Mackenzie – em um grupo com mais dois colegas.
E que raios o fim do mundo tem a ver com isso? – você se pergunta. O fim do mundo é exatamente o nosso tema para o trabalho final. Foram meses trabalhando em projeto, relatório e até em uma viagem muito doida para Goiás para conseguirmos criar um documentário com entrevistas de pessoas que acreditem nesse tema.
Para quem não fez a lição de casa e não leu nenhum jornal ou assistiu nenhuma reportagem durante o ano, existem diversas teorias para o que chamamos de “fim da humanidade”, ou “fim de um ciclo” – como anuncia o calendário maia, principalmente nesse ano, pois acredita-se que haverá uma transformação em 21 de dezembro.
No Globo Repórter, por exemplo, o tema foi explicado e, inclusive, falaram sobre a cidade que seria nosso destino para as filmagens: Alto Paraíso de Goiás.
Após escrever umas 30 páginas em um projeto de pesquisa, fomos os três com mala, cuia e câmeras para Alto Paraíso de Goiás em julho. A cidade é muito pequenininha, mas olha, como é complicado chegar lá! Bom, muita gente já sabe como são as estradas de Goiás, né. Um avião para Brasília daqui, outro busão cheio de gente que não ficava quieta da Real Expresso e umas 4 horas de viagem dali, e lá estávamos em um flat na rua Palipalã.
Agora eu vou fingir que o WordPress não ENGOLIU os próximos vários parágrafos que eu tinha escrito abaixo desse e tentar continuar no assunto.
E fomos mesmo muito benvindos! Percebemos que a maioria das pessoas com quem conversamos não era de lá. Aliás, só conversamos com uma pessoa nativa, o resto realmente foi parar lá do nada.
Como tínhamos apenas 4 dias para gravar, corremos muito para conseguir 9 entrevistados. No fim, descobrimos que o pessoal já está bem de saco cheio dessa coisa de jornalista ir pra lá, parece que uma das matérias feitas na cidade acabaram “ofendendo” as pessoas, e também criavam um estereótipo muito ruim pra cidade, principalmente por causa dessa coisa do fim do mundo e de ETs. O prefeito, aliás, mandou colocar um ETzinho na entrada da cidade, acompanhado de algo que lembra muito um disco voador, claro.
Bom, voltamos para casa com 9 gravações, porém nem todas com o conteúdo que esperávamos ao escrever o projeto. Resultado? mudamos um pouco o foco, e decidimos fazer um documentário sobre a relação dos moradores da cidade com o tema do fim do mundo.
Espero que dê certo até então.
E na volta ainda conseguimos conhecer um pouquinho de Brasília, para o sofrimento do meu nariz.
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Como esperar uma nova era
Ninguém sabe dizer quando exatamente uma criança faz seu primeiro contato com a língua estrangeira. Sendo os pais fãs de alguma banda famosa, é muito normal aprender os ritmos e fragmentos da melodia, para aos cinco anos aprender a dançar, aos dez aprender a cantar, e aos vinte entender o real sentido da composição musical.
Para mim, a música se chamava “Então é Natal”, de Simone; para meu pai, era “Happy Xmas”, de John Lennon – aquele magrelo com óculos inconfundíveis, cuja capa de vinil me encarava sempre quando abria o guarda-roupas para pegar os biquínis de minha mãe e vestir na minha vira-lata.
Nasci quase dez anos depois da morte de um grande cantor e compositor. Mas quem era Hiroshima, Nagasaki, Hare Krishna, Hare Hama, Guerra Fria? Desejei em minha formatura da pré-escola um Feliz Natal e um Ano Novo também sem ao menos perceber o porquê de alguma guerra ter acabado, se é que eu queria isso.
Não precisaria crescer muito para entender a importância desses ícones e de suas obras no mundo contemporâneo. Uma música marca uma década inteira e todos ao seu redor. Com John Lennon não foi diferente. O homem presencia ainda criança o desfecho de uma guerra em forma de cogumelo, teve o privilégio (ou azar) de participar da juventude transviada dos anos sessenta e, por influência histórico-social, lutou por um mundo melhor.
Não há como imaginar como seriam as grandes manifestações se não houvesse ícones para fortalecer uma ideologia. A música como pano de fundo das tragédias milenares da guerra, da evolução da mídia e da modernidade. Um pano de fundo ilustrado com corpos pelados, chorando em meio à fumaça, ou simplesmente com estampas aleatórias da bandeira norte-americana. Se não houvesse trilha sonora, você se lembraria? Certamente sim, pois teria visto em um livro de história da última prateleira empoeirada da biblioteca pública.
Hoje, raramente serão encontradas pessoas do ramo artístico com esse tipo de influência. Nesses casos, a perseguição política e a tentativa de deportação são iminentes. Imagine o ex-presidente Richard Nixon sofrendo para encontrar qualquer bom motivo para mandar embora o hippie britânico, cujo ativismo político se inicia com “Give Peace a Chance”, composição de 1969 em forma de protesto contra a guerra.
Aliás, imagine tudo à sua volta se esvaindo, há somente você e sua sociedade, sem julgamentos finais, céu ou inferno. Sem uma religião para confrontar e reprimir seus desejos, camuflando os preconceitos raciais e sexuais em palavras bonitas. Imagine, então, se não existisse amanhã e só houvesse hoje para reparar os erros cometidos em toda a vida. Se ninguém passasse fome. Você seria só um sonhador.
Mas nunca duvide de ter o que deseja, mesmo que isso seja a paz mundial. A própria tia Mimi – a qual criou Lennon – estava errada quando disse que ele nunca iria ganhar a vida com seu violão. E faço minhas as palavras do jornalista Alexandre Petillo:
“Cite um compositor que, mesmo após 25 anos de sua morte, tem uma obra sua que toca todos os anos, religiosamente, na casa de milhares de pessoas em todo o mundo. “Happy Xmas (War is Over)” é o tema de fim de ano da humanidade. Muita gente pode nem entender os versos em inglês que estão sendo ditos, mas compreende totalmente a intenção da letra.”
Nascer em meio a um ceticismo causado por uma crise mundial e crescer sob um turbilhão de avanços tecnológicos para, depois, morrer vítima de um fanatismo é quase uma jornada de herói. Para mim com cinco anos, ele era um ex-Beatle no armário, quinze anos depois tornar-se-ia o meu clássico.
Eu me pergunto se ele ainda acreditaria na Era de Aquarius caso sobrevivesse ao ataque de violência em frente ao Central Park, o qual já foi palco de um filme anti-guerra. Não se sabe se ele acreditaria ou não. Afinal, ele nunca terminou aquilo que queria dizer.
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