Adeline Daniele
Técnica em Programação e Desenvolvimento de Sistemas (CEFET/IF-SP). Estudante de Jornalismo - Mackenzie. Estagiária na Digerati Comunicações.
Filmes, séries, Piauí, comida e livros. 
Mais...
sexta-feira, 23-07-2010 às 07:23 |
976 palavras | 5 Comentários
Flor do Deserto (2009) (Wüstem Blume)





Foragida da Somália para não se casar, Waris Dirie viveu anos na Embaixada da Somália na Inglaterra e mal sabia falar inglês. Isto até conhecer Marilyn, que a ajuda a encontrar um novo lar e um emprego. Impressionado pela sua beleza, um fotógrafo famoso a avista no restaurante onde trabalha e a convida para fazer ensaios fotográficos. Waris se torna um sucesso em todo o mundo como modelo, no entanto, seu passado ainda guarda um marco muito maior do que suas conquistas e a faz relembrar sua infância a todo momento.
Flor do Deserto, de Sherry Horman, trouxe à tona não só uma mobilização pelo culto ao corpo humano e ao respeito pelas crenças, mas também uma guerra política cujas sequelas são visíveis até hoje na África. E eminente a hostilidade com que os africanos foram tratados na Inglaterra e até em outros países, assim como afegãos estavam para estadunidenses. Mas o caso não é bem esse.
A somali Waris Dirie, filha de criadores de cabra, passa por uma experiência incomum para uma criança de três anos: a circuncisão feminina. E após ter sofrido com infecções e dores ilastimáveis, fora vendida para um velho comerciante qualquer para se casar; no entanto ela foge para a casa da avó e para isto acaba tendo de atravessar todo um deserto e pegar caronas com sujeitos não tão receptíveis. Chegando na Inglaterra, a garota passa anos como faxineira na Embaixada da Somália sem ao menos ser alfabetizada, até o fim da guerra civil na Somália e o abandono do estabelecimento pelos embaixadores (ou sei lá o quê).

A partir daí, Waris passa a conhecer o novo país e sua cultura. Entre sua caminhada, conhece Marilyn, uma vendedora a qual a acolhe e a ajuda a arrumar um emprego como faxineira em um restaurante.
Num dia de trabalho comum, Waris é convidada pelo um grande fotógrafo Terry Donaldson para fazer umas fotos, as quais ela só vai aceitar fazer depois de ir ao hospital e retirar um vestígio doloroso do passado. Enfim, após ser fotografada e apresentada a uma agente capacitada, Waris é reconhecida e requisitada em várias partes do mundo.

Só fica nítido o drama com o qual toda a sua história centeia depois de uma entrevista concedida a uma revista pela então modelo. Convicta de que o dia o qual mudara a vida de Waris seria o mesmo de quando teria conhecido o famoso fotógrafo – e é o que qualquer um num mundo de hoje pensaria – a entrevistadora inicia a conversa pedindo para a modelo falar sobre o tal dia. Nesse momento, fragmentos da vida da somali que até então não haviam sido explicitamente citados, começam a ser narrados.

Waris Dirie foi testemunha e vítima de uma mutilação feminina tradicional na cultura muçulmana, sem nenhum tipo de higiene ou recursos indispensáveis. Para eles, o clitóris representa algo sujo, indigno, e por isso ele deve ser retirado logo no início da vida da criança, cuja genitália é costurada com espinhos e depois rasgada pelo marido na noite de núpcias para penetração. Isto soa muito pior quando se assiste à cena da criança guinchando de dor sem ao menos saber o por quê.

Assim, o filme não consegue atingir somente a guinada da modelo em si, mas ao interior de Waris que está sempre presa às lembranças da infância, por algo incômodo que não se deve deixar de discutir. A história da somali nômade transformada em modelo de sucesso não ofusca sua força feminina para querer lutar contra tal tipo de atrocidade. Horman trouxe uma trama original e deu a ela um nome cujo significado define todo o filme: a flor – símbolo da genitália feminina – e a própria inocência da infância, despedaçadas no deserto.
O que me faz pensar ou até chegar à conclusão de que provavelmente há três mil anos, Fred Flinstone, com colhões na parte de baixo e calos na testa fora submetido à uma experiência frustrante com Vilma neandertal e seu Dino após chegar do serviço. E assim pegou seu sebonascanelomóvel, buscou Barney em casa e foram até o bar mais próximo tomar umas biritas e decidir um novo dogma aqui, outro acolá. E por estes três mil anos, talvez todas as gerações tenham passado suas vidas se questionando se a dor traria alguma luz ao pesadelo etiópico.
Nada de preconceitos com qualquer tipo de cultura e religião, porém é indiscutível que a agressão e mutilação física sejam descartadas de uma vez por todas do Alcorão, Bíblia, Bavhagi, Jeová, Gibi da Mônica, textos do Jabor, apostilas de faculdade e etc. E aliás, segundo o filme, diz-se que não consta no Alcorão esse "batismo".
Cinema/Filmes
MarceloLuana, :: Loma, Bia, Dud's,