segunda-feira, 07-09-2009 às 12:26 | 746 palavras | 11 Comentários

Por que Jornalismo?

...e não história?

Nesta quinta-feira, o professor de Pauta e Apuração devolveu os textos que minha turma havia escrito em sua primeira aula, a qual eu não tinha ido porque ainda estava em Caraguá. O texto explicava porque cada um escolheu jornalismo.
Várias frases logicamente se encaixavam nos meus motivos: a vontade de informar a sociedade, escrever, poder viajar, etc. Porém, nenhum dos textos iria falar como eu realmente me apaixonei pela profissão. desconfiado
Soa como clichê dizer que desde criança adorava as "Composições", faz muito tempo eu reli as coisas que escrevia, se eu tivesse pouco mais de oito anos poderiam dizer que eu fumava um belo d'um baseado pra inventar tanta parafernalha. Algumas historinhas sempre traziam traços de algum filme ou desenho que tinha assistido. Certa vez, uma professora da segunda série quase ovulou quando leu um texto meu, eu só lembro que o protagonista era um coelho, porque eu lembro de te-lo desenhado na folha. pensativo Ela pediu pra eu passar a limpo numa folha maior pra ela, e escreveu no meu caderno "Brancaquinha de neve". Eu nunca entendi o por que de "brancaquinha". semideias
Enfim, até aí eu só curtia dar uma viajada com lápis de cor e psicodelicamente inventar travessuras num caderno.
Na sexta-série uma professora começou a querer fazer chamada oral de livros, nessa época eu e minha amiga vaca-que-me-abandonou-e-foi-pra-Londrina-em-2006 já frequentávamos a biblioteca da escola, e sempre trocávamos livros, entre eles eu me apaixonei pela coleção capa-fluorescente da Píppi Meialonga. Porém, pra chamada oral, eu deveria escolher um livro melhor. Foi assim que entre capas e capas – eu julgava livros pela capa, e nunca me dei mal por causa disso – encontrei o livro de capa preta, com um farol, sinixtro, aê diabo .
O Diário do Farol, de João Ubaldo Ribeiro, fez com que eu me descabelasse toda, era o primeiro livro excentricamente bizarro que eu lia, o cara era um psicopata! maldoso Fiquei deslumbrada pela linguagem com que ele narrava as coisas, o jeito irônico de escrever e descrever as coisas.
Mais tarde fui procurar saber mais sobre o autor, e achei um outro livro dele na biblioteca, O Conselheiro Come, que reunia várias crônicas. Não deu outra, eu lia em casa, na escola, e até andando na rua. Me apaixonei por esse estilo de escrita. O que mais me empolgou é que o cara era jornalista, e eu nunca tinha ouvido falar nele.
Juntando as duas coisas, eu curtia tanto escrever quanto ler crônicas ou qualquer livro, minhas amigas ficavam com cara de cu quando eu falava que tinha pedido de Natal algum livro do Harry Potter e não uma sandália, roupas ou cadernos caros.
Bom, o resto muitos já sabem. Eu comecei meu blog, e escrevia coisas bem idiotas, e aprendi a mecher com HTML, CSS, PHP, até fazer curso de programação no Cefet.
Nisso eu já tinha botado altas ideias na cabeça, coisas sobre a ditadura, política e cultura, e juntei com coisas como MPB, prazer pela leitura e escrita, história, ideias socialistas, etc.
No fim de 2007, quando íamos prestar vestibular, eu, idiota que sou, me candidatei pra Jornalismo na Fuvest. Retardadice pura, eu nunca que ia passar pra segunda fase. Ainda fiquei na dúvida se deveria ter prestado história. No ano em que terminei o CEFET, prestei Enem, e finalmente consegui minha vaga no Mackenzie, que hoje não trocaria pela tão sonhada USP.
Nesse primeiro ano de faculdade, eu percebo que pequeno pedaço de merda eu sou nesse mundo, e que tem tanta coisa que vai além de ler e escrever. O começo é meio perdido, com o tempo a gente vai aperfeiçoando várias coisas, e aprende que existem milhares de sentidos pra uma coisa só.
História da arte, Cinema, Fotografia, Fotojornalismo, Ética, Geografia, Sociologia, etc, etc e etc!
Por enquanto me vejo entre dois caminhos diferentes, espero que ambos me levem, mais tarde, pro caminho que almejo. Porque não é só da constituição social que vivem os jornalistas, mas sim de uma ideologia que engloba ética e esperança de melhor qualidade de vida.

Post comemorativo – Um ano de adelinedaniele.com.br

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Lero Lero





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Comentários para Por que Jornalismo?:

5

Esse texto seu me fez pensar que na época em que você não conseguiu entrar para a USP ficou toda triste e hoje não trocaria aquela vaga pela do Mack… Ainda bem que você está se achando cada vez mais!
Bjitos!

4

eu sempre tive vontade de fazer Jornalismo, mas mesmo gostando de escrever eu iria para a parte fotográfica, *0*
ps.: fiquei interessado na coleção capa-fluorescente da Píppi Meialonga. a capa brilha? *0*

3

Aê! Feliz aniversário pro blog!

Acho muito legal essa sua paixão por escrever coisas que quase ninguém escreve. Seu blog sempre teve um Q a mais que os outros e é pelo conteúdo. Você é uma pessoa que eu admiro.

Eu tbm sou dessas que escolhem um livro pela capa, sempre que ouço sobre isso eu lembro do livro A menina do fim da rua, que tinha uma capa sombria e uma história enigmática.

Londrina? O Moio fez faculdade lá.

Eu torço pra vc fazer muito sucesso, vou poder olhar pra TV e gritar "Olha lá a minha amiga Dedê!" ^_^

Beijão!

2

putz, quem ovulou agora fui eu! O que vo"^e escreveu só me fez refletir no sonho que era fazer a faculdade de jornalismo e que hoje a minha paixão só se reafirma em cada aula. Posso até criticar, mas amo muito tudo isso.
Tá, não lia muitos livros, mas amava história. apesar de nao ler muito! Gostaria também de fazer história, só para aprender mais do mundo e do país. acrdito que um bom jornalista deve saber bem a história do seu povo.
Me encantei e até chorei com seu texto, porque me vi ali, como você. Porque nào história? Acrdito que é porque queremos, em um futuro, estar presentes nestes livros que estudam história, com as nossas ideologias e com a vontade de poder mudar, nem que seja um pouquinho, este mundo para melhor.
bjsssss
amei heart

1

Ótimo texto! Adorei o jeito todo apaixonado que você escreveu sobre a profissão que vai seguir. Lindo mesmo!
beijos