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	<title>adelinedaniele &#187; Ensaios</title>
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		<title>Candidate-se a esta vaga agora</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 16:47:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adeline Daniele</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem vos fala agora é mais uma pessoa que quer uma das 190 mil vagas para emprego. E acredito que muitos de vocês também desejam ou já desejaram, pois &#034;Desempregado&#034; assinalado em formulário não vale nada, assim como sua renda na hora de comprar uma máquina de lavar nas Casas Bahia em R$segurodesemprego,00 pode ser constrangedora. Até em conversas de família, quando alguém lança aquele olhar atencioso e pergunta carinhosamente: <em>O que você vai querer fazer da vida?</em> &#8211; nessa hora é importante aproveitar cada segundo que leva para a pessoa terminar a pergunta, isso te dá tempo pra pensar no que responder.<br />
O que fazer da vida na verdade soa como uma missão a ser cumprida, como se cada ser humano tivesse uma obrigação de subir na vida e virar um esnobe vegan que aos 65 anos vai, finalmente, perceber que não devia ter feito administração e sim medicina. Hoje em dia ainda encontramos pessoas que fazem seus trabalhos com empenho e que não desejariam estar em outro lugar.<br />
Mas pense em uma década em que a internet passa de seletivos usuários para alcançar as pequenas antenas da periferia, onde a cabeça das pessoas que nasceram há pouco funciona de forma diferente, almejando a única coisa que lhes trará o status desejado: dinheiro.<br />
Só em 2009, ano em que comecei minha faculdade, de 80 alunos selecionados dentro da minha turma no mínimo 20 desistiram e optaram por outro curso ou ficaram estagnados. Teve gente que mudou até duas vezes de curso depois disso, e tem gente que termina o curso pra descobrir que não era aquilo que queria. Gente confusa essa, eu penso. Mas depois fica bem claro o que acontece com algumas dessas pessoas.<br />
Pai rico, filho rico, neto metido. Eis o dilema. Meus pais não nasceram ricos, muito menos o são. Como qualquer família de classe média cuja mãe se esforçou para passar em concursos e concluir uma graduação temos nossas dificuldades. Isso não me impediu de perceber como ás vezes famílias de classe A vêm a participar da nossa farofada classe B. Já explico o por quê.<br />
O pai, que pensa que é um Chris Gardner da vida, casa com uma moça (que não seria como a do Chris Gardner) e ela dá luz a três lindos filhos. Agora veja se já pensou dessa forma, o filho mais velho vira a ovelha negra, o caçula fica mimado e cheio de frescuras, e o do meio salva. Isso é uma observação minha, já vi acontecer várias vezes, então, você, caçula ou filho-do-meio, não se sinta rotulado, afinal, sou filha única e sempre vou ser tachada de mimada mesmo. Enfim, deixe a analogia dos três filhos pra lá e pense na sociedade hoje como está. Já imaginou como é, né? E não vai me dizer que pelo menos 50% dessas famílias contempladas pelo dinheiro abundante acaba na merda por causa da falta de perspectiva?<br />
É aí que entra essa liberdade de expressão, onde eu, ou nós, jovens, lutamos por um mundo melhor. Mas até lá demora uns três anos pra finalmente deslanchar em uma profissão e sair por aí dando palestras sobre autoconfiança ou sobre como educar o filho sem ter de enfiar uma bela cinta de couro nas nádegas gordas do desgraçado.<br />
Quando criança, aprendemos algumas das profissões ou seguimos o exemplo do pai advogado e da mãe dentista. Pra falar a verdade, medicina é a profissão hereditária. E acho que assim que conseguimos entrar numa faculdade os primeiros pensamentos preocupados são: &#034;<em>Aonde vou trabalhar? Como começo meu ganha-pão? Faço inglês ou espanhol primeiro? Curso técnico?</em>&#034;. Eu mesma já fiz curso técnico de programação e optei pelo Jornalismo, o que gera um estranhamento por parte daqueles que me entrevistam pra um estágio: &#034;<em>Então</em> &#8211; olha pro currículo e aperta os olhos pra ler meu nome direito &#8211; <em>Adeline, você já fez curso de programação, é isso? Mas por que mudou tanto de área?</em>&#034;. Bom, aí é que eu não posso sair falando que estamos no século vinte e um, que o desemprego toma conta do país por causa da falta de educação e de recursos pra isso, que todo profissional deve saber fazer um pouco de tudo, que quanto mais conhecimento, melhor, enfim, soaria mal educado e acho que todo ser que trabalha em RH e se mantém atualizado sabe disso.<br />
Eu não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas que não conseguem ter o mínimo de força de vontade pra fazer a diferença, mas entendo que boa parte dos problemas advém sim da sociedade e do modo como são criados os filhos. De que adianta uma herança gorda e um modo de administrar a vida sedentário? A conta emagrece até que se torne crucial a busca por um emprego na mercearia da esquina.<br />
<img src="http://adelinedaniele.com.br/wp-content/images/emprego.jpg" alt="" style="float: left;" class="blogimage" />Por outro lado, e em geral, a procura pelo trabalho em pró da gratificação é grande, e mesmo que não seja por dinheiro, como acontece com os estágios que visam a experiência e aprendizado, a situação se torna preocupante. Todo mundo sonha consigo mesmo como um profissional bem sucedido de terninho pra foto da revista Valor Econômico, aquelas fotos em que se sorri expressando: <em>Ó eu aqui no topo da pirâmide, mãe! Eu consegui! riaiririri</em>  <img src="http://adelinedaniele.com.br/wp-includes/images/smilies/sorriso.gif" alt="sorriso" class="wp-smiley" />  Eu diria que essa, pra mim, seria a era do MT (Mercado de Trabalho), e que se não corrermos atrás do melhor pedaço do bolo, acabamos com a fôrma e as migalhas.<br />
É por isso que falo que a culpa é nossa, mas não toda. Infelizmente a realidade é que até mesmo as empresas não sabem o que desejam. Fica complicado, por exemplo, esculpir um perfil do trabalhador perfeito. Sempre haverá um filho-da-mãe almofadinha de terno na fila de espera do processo seletivo se gabando pelos cursos caros fora do país e com um pai cuja agenda conforta milhares de contatos importantes. O que me deixa fula da vida. Estamos em um país de terceiro mundo onde grande parte da população até uns anos atrás era analfabeta e hoje tenta se reerguer da escravidão do Mobral com a maior força de vontade possível.<br />
Pode parecer ridículo uma pessoa com tantas oportunidades reclamar, vão achar que estou traumatizada e descontando a raiva no mundo. Mas não é mentira quando digo que muita gente luta para obter melhor desempenho e merecer as regalias do trabalho enquanto indicações externas valem mais do que honestidade.</p>
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