Eu me considero uma pessoa com sorte. Sim. Sorte por não ter nascido com a arcada dentária podre, torta ou defeituosa. Até onde se sabe não existe ser humano que em sã consciência goste de enfiar brocas na boca ou de sentir a "picadinha" de agulha que muitos temem.
Mas mesmo tendo tudo sempre certo, o medo daquela cadeira é inevitável e quando nos sentamos procurando conforto já ficamos imaginando o que vai acontecer. É quando nosso cérebro figura todo tipo de trauma da vida e monta a cena de algo pontudo atravessando nossa bochecha. Pelo menos é o que acontece comigo. Existem aquelas pessoas que já estão acostumadas, o dentista nem precisa mais avisar a hora de cuspir o flúor com gosto azedo.
O caso é que eu não vou muito ao dentista, então todo tipo de comentário que as pessoas fazem já me deixa tão tensa que antes de sentar na cadeira já vou pedindo xelocaína. Apesar disso, depois da experiência que tive digo que não tenho problema em ir ao dentista, eu só não quero precisar voltar lá!
Durante o ano passado inteiro andei com umas dores que vinham e voltavam quando eu mastigava. Percebi que os famosos dentes do juízo estavam querendo apontar, e eles não vinham com muita amizade.
No começo desse ano minha mãe e eu decidimos que estava na hora de ir ao dentista, ela pra arrumar um carlhamaço de coisas, e eu pra fazer a checagem. Acabou que meu tio, o dentista, sugeriu que eu tirasse os quatro cisos de uma vez, pra não ter problemas. E eu, metida a corajosa e com vergonha de contestar, aceitei.
Sem muitos rodeios sobre a viagem, a chegada, meu último almoço decente da semana [comida da vovó] e de duas horas de espera porque minha mãe foi atendida antes: lá estava eu sentada na cadeira, minha prima recém formada de um lado e meu tio do outro [lembra das profissões hereditárias, né?]. Só depois de meu tio tirar umas trocentas seringas e materiais esquisitos esterilizados que eu me dei conta da cagada que estava fazendo, eu iria ficar ali por muito tempo, pois segundo meu raio-x meus dentes de baixo estavam deitados empurrando os outros.
O interessante de ir ao dentista é que eles parecem entender o que você fala, mesmo com sua boca estando esgarranchada eles respondem exatamente o que se pergunta. Foi o que aconteceu com minha tia, que ajuda nas cirurgias. - Ã ka á?
- Tá, sua mãe ta la te esperando
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Tirando isso, não há nada de tranquilizador durante essa cirurgia senão a própria anestesia, que graças a Alá não doeu pra ser aplicada. Mesmo assim, só a aflição de estarem cortando, triturando seu dente e puxando ele com toda a força já dá tremedeira. Juro que tentava relaxar naquela cadeira mas quando me dava conta estava toda dura.
Saí de lá ainda com a boca aberta, foi mais de uma hora dentro daquela sala com ar condicionado e a primeira coisa que fiz foi ir ao banheiro fazer xixi. Como eu estava anestesiada parecia que meu beiço inferior estava inchado, os cantos da minha boca estavam cortados de tando ficarem com espelho pra lá e pra cá. Fui embora com uma gaze na boca de vergonha, ainda bem que minha avó mora a uns 50m do consultório
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Depois disso passei dois dias comendo sopa, não aguentei ficar sem comer, ainda mais com todo mundo cozinhando macarrão alho e óleo, frango assado, etc
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Sabem aquele cheiro característico de dentista que ninguém gosta? Pois é, eu gosto. Não sei por quê mas o cheiro lembra limpeza, o que pode ser mais limpinho do que jaleco de médico e dentista, não? [antes de passarem o dia inteiro trabalhando, claro] Descobri que esse cheiro vem daquele remédio que eles aplicam antes da cirurgia, o Periogard, que aliás eu precisei bochechar por vários dias.
Ao contrário do que muitos dentistas falam, meu tio não aconselhou que eu saísse por aí tomando sorvete, pelo menos não no mesmo dia da cirurgia, pois o açúcar pode fermentar e fazer estragos no rombo do dente semi-arrancado, fica a recomendação
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No mais, cinco dias em Minas Gerais comendo e dormindo…Essas férias são prejudiciais. Pelo menos deu tempo de dar uma lida no livro Clube do Filme, de David Glimour – ex-crítico de cinema contando como tentou educar seu filho adolescente.
Depois que voltei, por efeito do Periogard ou não, comecei a jogar Farmville - ainda bem que é só por agora, depois das férias vou dar tchau pra internet.
Além de tudo, estou na 3ª temporada de Lost, com um namorado que quer fazer cinema a gente assiste de tudo né?
Até a próxima e com mais criaitividade!
Filmes, séries, comida e livros.

