Nesta quinta-feira, o professor de Pauta e Apuração devolveu os textos que minha turma havia escrito em sua primeira aula, a qual eu não tinha ido porque ainda estava em Caraguá. O texto explicava porque cada um escolheu jornalismo.
Várias frases logicamente se encaixavam nos meus motivos: a vontade de informar a sociedade, escrever, poder viajar, etc. Porém, nenhum dos textos iria falar como eu realmente me apaixonei pela profissão.
Soa como clichê dizer que desde criança adorava as "Composições", faz muito tempo eu reli as coisas que escrevia, se eu tivesse pouco mais de oito anos poderiam dizer que eu fumava um belo d'um baseado pra inventar tanta parafernalha. Algumas historinhas sempre traziam traços de algum filme ou desenho que tinha assistido. Certa vez, uma professora da segunda série quase ovulou quando leu um texto meu, eu só lembro que o protagonista era um coelho, porque eu lembro de te-lo desenhado na folha.
Ela pediu pra eu passar a limpo numa folha maior pra ela, e escreveu no meu caderno "Brancaquinha de neve". Eu nunca entendi o por que de "brancaquinha".
Enfim, até aí eu só curtia dar uma viajada com lápis de cor e psicodelicamente inventar travessuras num caderno.
Na sexta-série uma professora começou a querer fazer chamada oral de livros, nessa época eu e minha amiga vaca-que-me-abandonou-e-foi-pra-Londrina-em-2006 já frequentávamos a biblioteca da escola, e sempre trocávamos livros, entre eles eu me apaixonei pela coleção capa-fluorescente da Píppi Meialonga. Porém, pra chamada oral, eu deveria escolher um livro melhor. Foi assim que entre capas e capas – eu julgava livros pela capa, e nunca me dei mal por causa disso – encontrei o livro de capa preta, com um farol, sinixtro, aê
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O Diário do Farol, de João Ubaldo Ribeiro, fez com que eu me descabelasse toda, era o primeiro livro excentricamente bizarro que eu lia, o cara era um psicopata!
Fiquei deslumbrada pela linguagem com que ele narrava as coisas, o jeito irônico de escrever e descrever as coisas.
Mais tarde fui procurar saber mais sobre o autor, e achei um outro livro dele na biblioteca, O Conselheiro Come, que reunia várias crônicas. Não deu outra, eu lia em casa, na escola, e até andando na rua. Me apaixonei por esse estilo de escrita. O que mais me empolgou é que o cara era jornalista, e eu nunca tinha ouvido falar nele.
Juntando as duas coisas, eu curtia tanto escrever quanto ler crônicas ou qualquer livro, minhas amigas ficavam com cara de cu quando eu falava que tinha pedido de Natal algum livro do Harry Potter e não uma sandália, roupas ou cadernos caros.
Bom, o resto muitos já sabem. Eu comecei meu blog, e escrevia coisas bem idiotas, e aprendi a mecher com HTML, CSS, PHP, até fazer curso de programação no Cefet.
Nisso eu já tinha botado altas ideias na cabeça, coisas sobre a ditadura, política e cultura, e juntei com coisas como MPB, prazer pela leitura e escrita, história, ideias socialistas, etc.
No fim de 2007, quando íamos prestar vestibular, eu, idiota que sou, me candidatei pra Jornalismo na Fuvest. Retardadice pura, eu nunca que ia passar pra segunda fase. Ainda fiquei na dúvida se deveria ter prestado história. No ano em que terminei o CEFET, prestei Enem, e finalmente consegui minha vaga no Mackenzie, que hoje não trocaria pela tão sonhada USP.
Nesse primeiro ano de faculdade, eu percebo que pequeno pedaço de merda eu sou nesse mundo, e que tem tanta coisa que vai além de ler e escrever. O começo é meio perdido, com o tempo a gente vai aperfeiçoando várias coisas, e aprende que existem milhares de sentidos pra uma coisa só.
História da arte, Cinema, Fotografia, Fotojornalismo, Ética, Geografia, Sociologia, etc, etc e etc!
Por enquanto me vejo entre dois caminhos diferentes, espero que ambos me levem, mais tarde, pro caminho que almejo. Porque não é só da constituição social que vivem os jornalistas, mas sim de uma ideologia que engloba ética e esperança de melhor qualidade de vida.
Post comemorativo – Um ano de adelinedaniele.com.br
Filmes, séries, comida e livros.

